domingo, 24 de abril de 2011

A “Fome”


Apresento-lhes o pastel!
Tamanha a fome de um ser, que leva a saborear um pastel tamanho família. Nunca havia parado pra pensar, que uma pessoa seria capaz de devorar em alguns minutos, uma espécie de alimento, advindo da outra parte do “Planeta”. Como curiosidade o pastel tem sua origem no Japão, conta à lenda que por meio de um acidente o Gyosa (pastel cozido), tenha caído em óleo quente e a partir daí surgiu o pastel como o conhecemos. Naquele momento os recheios eram tradicionais, carne e queijo, apenas.
Bom, não foi somente por esta razão que fui tentada a comer o enorme pastel, mas sim pela exagerada fome que me assolava às 17h de domingo, à qual passei em uma “pacata” cidade, chamada Paulínia.
Vai ficar registrado em minha memória, por um bom período. Digo uma coisa, nem sempre o que vemos é o que parece ser, pois as aparências enganam muitas vezes. Essa experiência foi comprovada por mim.
O sabor esperado decepcionou, não estava a contento como o imaginado, o recheio deixou a desejar, a temperatura ficou abaixo do ideal, agora a única coisa que alcançou seu objetivo, foi o preço que agradou, inclusive ao dono do estabelecimento.

Dessa tarde ficou uma lição, nunca se deixar ir pelas aparências, pesquise, olhe, avalie, pense uma, duas, três ou mais vezes antes de atender a uma vontade.
Léa Gomes da Cruz Soares
13/04/2011
17h50

terça-feira, 5 de abril de 2011

GAIA

Gaia

Enquanto os bezerros mamam
Nas tetas cheias de leite
Fecham os olhos, demoradamente
Como lembranças internas, de cores vivas.

Próximo a ele, surge
Um casal. Que repentinamente
Fazem declarações de amor... Calorosamente
Um guri cantarola na estrada

Versos do verde da mata
Uma Seda leve, parte dela,
Um quarto de Gaia, único!

Ah! Acolhe-me em teu peito o sepulcro,
Minha Gaia, de paixão e do acaso,
Ah meu adorado e maravilhoso Brasil!

Léa Gomes da Cruz Soares

Natural de Santo André
Formação
Assistente Social - Formada pela FAPSS - Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul - 1996.

Especialista em Serviço Social Hospitalar - HSPE _ IAMSP - FUNDAP - 2000

Especialista em Serviço Social Direitos e Competência - Formada pela UNB - 2010.

Encarregada do Centro de Referência a Mulher em Situação de Violência "Vem Maria" da Prefeitura de Santo André, desde 2005.

Formada em Letras pelo IESA - 2010 - Apaixonada por Literatura.

Texto em Prosa, publicado na Revista Tantas Letras de 2009 - "Como Escrever".

A teoria dos Bráulios




Pertenço a um grupo de pessoas seletas, se bem que hoje já tenho caído fora, pois a alienação daquela gente para o sexo passou dos limites da compreensão humana. Ainda me lembro bem das nossas reuniões realizadas à noite de sábados. Os Bráulios, era assim que nos chamávamos. Cada um possuía um número herdado não no ato de entrada, mas de acordo com uma interpretação numerologia criada pela nossa irmandade. Começávamos sempre exaltando a beleza de nossa pátria:
- No Brasil, existe uma incrível variedade de mulheres, dizia o número Sete, encarregado dos discursos de abertura. – Começando com as mulatas que se destacaram como rosto de beleza da nação brasileira. Há ainda outras de origem italiana, alemã, holandesa se pensarmos na época que o Brasil, ideologicamente, resolvera se clarear. O que deixou a trilogia étnica um pouco mais tênue. O que não vem ao caso aqui. A verdade é que me cansei desses discursos, o irmão Sete, às vezes me parecia um cachorro lambão. Quando entrei para nossa confraria; apenas estava interessado em foder a irmã número Seis, a mesma que me fez o convite num bar de esquina. Meu amigo me avisou da loucura daquela mulher, mas Luana era gostosa mesmo... Depois, passei a chamá-la de Seis, como todo batizado! O nosso batismo era orgia mesmo; não descreverei isso aqui, a finalidade deste texto é documentar para as gerações posteriores a existência da confraria dos Bráulios, nome que todos conhecem, mas poucos realmente compreenderam a beleza disso. Portanto, manterei uma postura rígida, exigida por um texto teórico.
A teoria dos Bráulios surgiu dessa variedade de escolhas; é claro que contamos também com o clima tropical, algo que tempera o estado de ânimo e transforma a vida em algo mais alegre. Pensei em usar o termo colorido no lugar de alegre, mas algumas palavras nos parecem inadequadas demais por gerar outros semas que possibilitariam uma interpretação errônea. Bráulio é Bráulio e pronto. A Seis quando me convencia naquele boteco de pertencer à irmandade, falara em meus ouvidos que enxerga duendes. Imaginei logo de início que os tais duendes era uma metáfora para o órgão genital masculino. Estava certo. O pior dos Bráulios era o fato de que até as mulheres queriam ser espadas, o que me fez cair fora rapidamente. Muitos irmãos e irmãs haviam protestado, uma vez que eu era o número Oito. Não liguei para nada. Sai. Por outro lado, carreguei comigo o mais fino dessa confraria, da qual agora, denomino A Teoria dos Bráulios:
Não há beleza no mundo sem as mulheres e isso qualquer homem concorda; digo homem, não me interessa as discussões homossexuais do tempo presente. A verdade é que sentado em uma mesa de bar num final de sexta-feira com meu amigo Patrick; pude observar o quanto da vida é efêmero e o que leva tantos homens a busca de mulheres perfeitas. Nesse caso, as prostitutas. Sei que muitos irão discordar ao ouvir isso, mas não se trata de nenhuma verdade. Isso é crença teórica e no melhor que você pode fazer é ouvir e pelo menos entender do que se trata. O público feminino no mínimo dirá que as putas nem se quer preenchem o requisito de ser mulher de verdade, mentira, mulher por mulher cafetão por cafetão, encontramos de montes. É provável que você, como leitor, esteja achando tudo isso teórico demais, por outro lado, o nome já diz ; trata-se dos Bráulios.
As mulheres que me perdoem, mas este texto não possui assim um caráter feminino nem tão pouco discorre de assuntos pertencentes a esse universo, quando pensamos na delicadeza e sensibilidade que só as mulheres possuem. A verdade é que mesmo na confraria, havia muitas mulheres nos seguindo; motivo esse que fazia muitos homens aderir a nossa causa, ainda que até hoje não sei direito qual é a causa, além de foder, é claro. Lembro-me claramente que o número Vinte e Quatro dizia que seriamos mais poderosos que os Iluminates. – Cale a boca! Os Iluminates nunca existiram! Isso é teoria de retardado. O que existe é o Bráulio!  Não há nada aqui que não seja de conhecimento popular, mas ainda assim não deixa de ser teoria. Bráulio significa espada em fogo, de acordo com sua raiz germânica. O que no nosso caso não importa muito, uma vez que nossas reuniões eram sempre em lugares abertos. Estávamos sentados numa mesa de bar, vendo a variedade de mulheres que desfilavam na Estrada do Pedroso quando o Vinte Quatro disse aquela asneira da qual o repreendi. A origem da palavra é apenas um dos significados, existem ainda os da prestatividade ou o da numerologia que indica o número seis. Não sei. Para muitos, braular significa foder. Para outros, Bráulio nada mais é que o órgão sexual masculino denominado de pênis, mas no popular encontramos pinto, pau, rola, cacete, tora, vara, caralho e tantos outros nomes que não me é possível listar neste estudo científico. Eu prefiro dizer caralho, porque rima com malho, é mais bonito e se lembrarmos os marombeiros das academias, então temos um sentido estético também.
Outra confusão que levou os Bráulios a se dividirem em direitas e esquerdistas foi à definição da palavra foder. A palavra foder pode ter origem na latina “fodio” que significa cavar, escavar, furar, transpassar, vazar, no caso os olhos e isso é muito significativo, pois um homem sente vontade de foder uma mulher quanto ele a vê. O que foi mais ou menos o ocorrido naquela noite de quinta-feira quando conheci a Seis. Também existe o sentido figurado de tirar, aguilhoar, torturar e isso tudo lembra o sadismo, espicaçar e dilacerar e por ai vai. Lembre-se que o termo libertinagem também está próximo da palavra liberdade, dizia o número Dois, encarregado de ensinar a doutrina aos recém batizados. O que em prática não representa a realidade, um desses vocábulos é aceito na sociedade, o outro é corrompido pelo purismo do preconceito. E isso também faz da minha tentativa de teorizar algo tão importante em um fracasso.
É melhor eu exemplificar com uma história real. Ainda que a realidade só possa ser captada por um momento, sem nenhuma reprodução. Quando fui à praça, no centro da cidade; encontrei o Gusta que queria beber um pouco e se distrair dos aborrecimentos da vida. Naquele dia, resolvemos andar e acabamos num bar próximo a estação ferroviária de Santo André. Havia uma ruiva dessas de cabelo tingido lá no fundo do bar. Eu e o Gusta vimos logo de cara. Mudamos de mesa; pensava em fechar a garota ali mesmo, mas ela foi embora. No final da noite, passamos no bordel ao lado, praticamente fazendo parede ao fundo do bar. Ela estava lá em todo seu esplendor de puta, tentando praticar o poli dance. A garota se chamava Marcela e tinha apenas dezenove anos. O Gusta estava sem dinheiro; eu busquei das minhas economias e fui. A mulher era casada e tinha um filho; me disse que saia com o rapaz daquela lanchonete onde estávamos, perguntei quem era.  - O moreno de cabelo em pé. Guardei o telefone dela. Ainda em outra tarde comentava com o Patrick esse desejo animal de sair braulando tudo. Ele me falava de Miss Julie, do Rubem Fonseca. Há muitos outros exemplos, existem aqueles que nos chegam por uma voz, como acontecera comigo, quando ainda lecionava em um colégio particular da cidade de Mauá. O Charles na sala dos professores havia me dito que um moleque de no máximo vinte anos saiu para beber e no auge de sua alegria, teve a sorte de ficar com uma garota muito boa, como não queria passar por ridículo e brochar. O que é bem natural na teoria dos Bráulios, diga se de passagem. O moleque tomou um viagra inteiro e acabou fodendo a garota a noite inteira, porém não ejaculou. Passou um dia inteiro com o caralho duro; acabou tento que contar aos pais, foi ao médico, mas havia passado tempo demais, cangrenou e teve que amputar o pau. Esse nunca mais braulou ninguém. Não sei, é necessário haver informação e responsabilidade, dizia à enfermeira que contou a história para o Charles. Entre tantas vitrines que nos passam, seja loura, morena, mulata, não importa. Vou continuar braulando.

Leandro Ramires Rodrigues é formado em Letras pela FMU, especialista em Literatura pela PUC-SP, atualmente realiza cursos como aluno especial na USP, lugar onde pretende abrir o mestrado em teoria literária. “Diálogos de metaficção em O Sol Se Põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho”. Leciona língua portuguesa, literatura e redação para o ensino médio desde 1998, passando por outras modalidades de ensino também. Atualmente, é o conselheiro de Literatura da cidade de Santo André – gestão 2010/2012. Não se considera poeta nem escritor, palavras complicadas de se definir, mas se aventura no mundo da escrita desde 1997, quando um abençoado professor de literatura na faculdade de letras resolveu dedicar se de graça, abrindo uma oficina de criação literária. Ficou doente e desde então não mais largou a poesia e a ficção.



NÃO VOU MAIS ME EMBORA




Não sou mais amigo do Rei
Se aqui te encontro
Bem imaginas o que farei
Te mato e sabes muito bem

Não vou mais embora
Pra nem posso dizer o nome
Pois este  nome  me da sede da cabeça
De um homem

Pois lá o que me ofereceste
Se procurar por 100 anos
Jamais encontrarei
Pois tua cobiça lhe corrompeste
Não vou mais embora
Ah!!! Reinaldo meu Rei
Se aqui te encontro
Te considero um homem morto

Levaste o meu maior bem
Deitaste com a mulher que escolhi
Na cama que imaginei
A quem tanto amei
Foi lá...e não me esquecerei,
Na esquina com a rua do armazém.

Regiane Coutinho


sábado, 2 de abril de 2011

Endereços

Olá Turma,

Bom... jogo rápido.

Caso vocês tenhom blogs ou sites
de produção artística ou não,
passem para mim o endereço para
que eu possa inclui-lo no nosso
setor PARCEIROS... inclui os
meus, o da Marli que é lindo,
e o do Mestre Pafundi.
Marli o poeta que falou do trabalho
da turma, o qual lhe falei
é o Jorge Lasar... incluido em nossa
lista.
Sugiro que leiam esses blogs, são de
pessoas de talento singular... incluindo
o professor e amigo Vinicius.

Boa leitura e aguardo
Beijo nas mina e abraço nos manos.

Flávio Mello

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fósforo Angustiante

Willian Medeiros


Na chama crepitante,
de um fósforo angustiante,
Tal a chama angustiada
dos anjos escaldantes.

Veio-me o sabor do enxofre,
o amargo do café.
EU, ser de pouca fé,
dominado por versos podres.

Na fumaça, crônica, o toco preto.
A brasa do cigarro,
na garganta o maldito pigarro...

Nas folhas, pulmões amarelos,
versos malditos, belos, porém, negros...
Presos num soneto, morada, e alvéolo.


Possui graduação em Letras - Literatura, Especialização em Praticas e Vertentes - Literatura Africana e Infantil e Mestrado em andamento no curso de Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP, Brasil.

Título de tese: Restauremos a Poesia em Cristo: a poesia religiosa de Jorge de Lima, Ano de Obtenção: 2012.

É professor, palestrante, coordenador editorial e escritor, autor de vários livros de ficção e artigos em revistas.

Atualmente é professor convidado em Universidades e colégios onde ministra aulas sobre Literatura, Escrita Criativa, o Conto Contemporâneo e a Poesia. Oficinas em diferentes abordagens que vão desde a criação de peças e construção de fantoches a Poesia e a Poesia Modernista de Jorge de Lima.

Coordena o curso Leituras Literárias: Reflexões e Escrita na Casa da Palavra.

TRAVESSURAS DE MENINO



por Patrick Frasames de Barros

dedicado ao menino Rubem Braga

– Fiquei sabendo que o senhor possui muitos passarinhos.
– Sim alguns.
– Eles cantam?
– Sim todos cantam.
– Gosto muito de passarinhos.
– Por que não tem?
– Não tenho dinheiro para comprar.
– Existem meios de tê-los sem comprar.
– Como?
– Armando arapuca no mato.
– Você me ensina a fazer isso?
– Claro, que sim.
– Por onde devo começar?
– Vá a uma casa de aves.
– Fazer o quê?
– Comprar uma arapuca.
– Sem dinheiro?
– Sim, peça em meu nome.
– Moço me dá um passarinho?
– Só posso lhe dar uma arapuca.